
Pensava que Sorocaba tivesse uma câmara legislativa para fazer valer o interesse da população que aqui reside. Certo? Ai que me enganei, realmente em seu ultimo senso Sorocaba apresentou mais de 580 mil habitantes em seu território, é verdadeira a informação que a casa legislativa tem uma representação de 20 vereadores, porém nossos vereadores não representam o interesse da população, visto que foi aprovado o cargo do SEXTO assessor por unanimidade.
A aprovação da criação do SEXTO assessor acarretara em 1 milhão e 100 mil reais por ano aos cofres de Sorocaba.
Em discordância de tal lei me uni ao meu colega de sala Beto para irmos ate a câmara e nos manifestarmos.
A ideia parecia ser boa, e que não teríamos grandes aborrecimentos, a não ser o de que a lei fosse aprovada, mas apenas parecia.
Chegamos ás 9 horas (afinal deveria ser esse o horário do inicio das sessões) encontramos alguns outros manifestantes que estavam lá pelo mesmo motivo, logo nos unimos, pouco tempo depois chegou o vereador Irineu, que com um ar muito irônico nos olhou e disse “hoje vocês estão espertos né” fazendo referência a sessão da semana anterior quando a lei foi posta em votação pela primeira vez, e votada em apenas 20 segundos, fato o qual levou ao não perceber dos manifestantes que ali estavam, a sessão começou lá pelas 10 horas, uma senhora muito educada representante de uma ONG (COESO) apresentou um belíssimo trabalho para os vereadores, que cochilavam enquanto a mesma expunha o trabalho, em seguida veio os secretários que foram conhecer parques tecnológicos na Europa, dando conta do investimento que a prefeitura tem com tais viagens, e finalmente o grande momento, o presidente da casa pois em votação a lei do SEXTO assessor.
De imediato ouviu-se as vaias, sim, de apenas 13 manifestantes que ali estavam, então o presidente da casa com muita elegância pediu para nos calarmos, pois segundo o conceito dele de democracia quando um fala os outros houvem, e que a experiência de vida que o mesmo tem dá lhe o direito de dizer que nos todos, por sermos jovens, estávamos lutando por algo desnecessário, logo após pedir para nos calarmos ou seria obrigado a usar de meios que o cabiam, passou a palavra ao vereador Francisco França.
Em um discurso de extremo embasamento técnico administrativo, contábil e político social (leiam isso com o maior tom de ironia possível), o nobre vereador disse que se ali estivesse em votação o décimo assessor, sem problemas, ele votaria, pois é de extrema necessidade para atender a demanda de reclamações populares que seu gabinete recebe todos os dias, foi além, disse que aquela casa não tem que se envergonhar de tal ato, assim como não deveria ter voltado atrás na votação do próprio aumento salarial, nos chamou de ignorantes, filhinhos de papai e o melhor adjectivo que poderia ter nos dado, doentes mentais.
Com esse belo discurso do vereador Francisco França, logo seu colega de casa vereador Irineu se sentiu tocado e uniu-se ao belo discurso, dizendo que nunca passamos fome e nem sentimos frios em nossas vidas, ainda teve a pachorra de perguntar qual era a marca do tênis que estávamos calçando, se referindo à classe social que talvez nos representássemos, disse também, que nossos currículos seriam os primeiros a serem enviados quando o cargo fosse aprovado.
A palavra foi então ao vereador Ruby que nos contou um pouco de sua historia, há qual muito me sensibilizou, mas que não lhe da o direito de me tirar o direito de me manifestar contra atos ali tomados.
Logo em seguida foi à vez do vereador Izidio, que se mostrou muito perdido, pois tentava nos associar a um professor o qual nunca conheci, e dizia que o mesmo era um fura greve na época em que trabalharam juntos na Metalac, que ali éramos apenas fantoches desse professor.
A lei foi colocada em votação recebendo apenas uma modificação, a qual alterava que não mais qualquer pessoa poderia ser indicada ao cargo, mas sim apenas as com ensino médio completo, ideia dada pelo promotor de justiça Orlando Bastos, tal ideia foi rebatida pelo vereador Crespo, que achava tal emenda desnecessária.
No fim ainda um dos manifestantes que ali estava esticou o braço com um nariz de palhaço para o vereador Francisco França, e recebeu a resposta do vereador “dá pra sua mãe”, o manifestante não tinha uma das pernas, então o guarda municipal que ali estava entre por um cidadão ou um cidadão mal educado para fora do salão, optou em por o apenas cidadão que ali manifestava o direito de liberdade de expressão.